segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Quehacer

Volte a mim quem sou!
Sem dor, mácula ou deterioração.
Volte a mim e não ao que importa,
Arranque as bordas do meu coração.

Que o desconcertante ao crescer
me parece o morrer, mas não todo
Quão inútil o "Ba" desbotado
E escada é e será o que lhe parecer

Uma ponte azul e arriscada
atravessa minha alma entredentes
De todo modo, a penitente faminta não fala
-ela grita!

E parte de mim, tão carolina
Se despedaça e tinge o papel que
re-inventa
Dotada de todo mal
a que apenas bondade ostenta.

sábado, 10 de outubro de 2009

Parecer

Com'uma rocha, sempr' em transição, não me atenho ao tod' ou à metade; quer' o Nada, com' o Nada e escrevo o Nada - constantemente - muito apesar de Ser e Ter um eu todo e pleno: um Nada.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Que mudou em mim.

Não.
(menti)

Sabendo que, no fundo,
tem um pouco de Amèlie.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Escreva sobre o Amor...


Foto: Filme Transylvania.

Sobre o amor?

Sexta feira, terceiro ano, última aula: redação; e a professora disse isso. Ninguém respirou. Ela fez brincadeiras para descontrair, mas ninguém se mexia. Então ela fez a introdução. É claro que eu não fiz na hora. Esperei bater o sinal, afinal, era a última aula de sexta feira, quase sete da noite.

Toda terça eu ia ao plantão de redação com a Andressa, que fazia doutorado na UNICAMP. Até terça feira eu ainda nada havia escrito. Eram 15min de ônibus até o colégio, texto de 20 linhas pra fazer, descontando as 5 que a Ana Paula ditou...o que eu fiz?!

Sei que um relacionamento hoje pode ter inúmeras características: pode ser apaixonante, corriqueiro, duradouro, aquele só de troca de olhares, envolvente, enfim... pode até ser “goiabada com queijo”. É... aquele bem típico: os opostos se atraem.

Mas, para mim, o que não pode faltar em um relacionamento é o sentimento, sem o qual torna a cumplicidade uma espécie de anulação de uma das partes; amor é coesão e, quando real, não se resume aos meros açúcares ou paixões postiças e sem cabimento que observo com freqüência. É como se o apresso não passasse de uma obrigação implícita, uma máscara que apenas está ali.

Para descontrair – e, na verdade me eximir das minhas verdades absurdas, mas visíveis a quem desejar ver - Digo-lhe que não espero muito do amor, pois o charme está na espontaneidade,na gentileza, na aceitação cúmplice e, por vezes, crucificadora.

Doses freqüentes e homeopáticas de acetinação e sutileza. Isso é um relacionamento, nem sintético nem macrobiótico, essa é uma forma de amor.

Saudades (sem saudosismo) do terceiro ano do ensino médio. Ano que conheci pessoas importantes, ano que agreguei muito conhecimento em todos os âmbitos possíveis da vida. Aprendi muito sobre as pessoas. E sigo aprendendo.

[Originalmente publicado em LÓGICAS EMOCIONAIS em 22/02/08.]

terça-feira, 19 de maio de 2009

Glamour [*]

Se me sinto só
Se a agonia é tanta
Se ao menos o xadrez consola
Pés no alto, pernas cruzadas, sensação sonora:

Queria um cheiro amarelo, mas ele me escapa
ele foge, ele foge, não quer ficar aqui.
Mas eu odeio amarelo!
Odeio tanto que preciso...

Odeio muito, o necessário
E o trivial, que se torna cerne,
é a água que me faz mal
É o dia que acaba mal.
É a dor do vazio que me faz mal.

Todos indo através da porta aberta
Todos indo para serem queimados
É absurdo, diante de tanta merda
aceitarem serem, dessa forna submetidos

Minhas respostas condensadas
se resumem ao silêncio
As faltas, as falas e as falsas mentiras
todas tal qual verme impregnadas

Céus, como livrar-me de tamanha melancolia?
A angústia ainda me mata, a cada dia
dilacerando, arrancando os pedaços
E você, ser invisivel, o que fazes?

Grita?
Chora?
Condena?

Não, você é um ser invisível, não é mesmo?
Então você se camufla.
Pois então.

Camufla-se
Arruina-se
E se faça mestre.

Meu sentir sintético
Meus textos sintéticos,
Minha dor e sofrimento tão patéticos
E minha vida que não é verdade.

O tudo reflete o pouco.
O pouco reflete o nada.
E,ainda assim, sigo vivendo
sem ardor senão lascívia
derramando o sangue
deteriorando os sentimentos

A invisibilidade que tanje a dor
o morrer a cada dia
pedaço a pedaço
parte a parte
tão ultrajante...
tão revelador...


Cordas que jamais se desamarram
Por que tudo isso?
E o poder
Tão humilhante...
Tão revelador...
Pois então que acabe logo.
Que acabe todas as mágoas e dissabores.
Que, enfim, encerrem-se em si, todos os meus horrores.

[*]É o nome dado a uma magia de disfarce, para passar despercebido

quarta-feira, 29 de abril de 2009

[afeto] ou [estorvo]

O que é:
os olhos que riem um riso amarelo ou
tocar a caixa com sensação magnética?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A uma bastarda que conheci

Recolha-se à proporcional insignificância,
filha de Ninguém,
Oh bastarda que conheci.

Que suas lágrimas lustrem meu chão
Só, sinta o prazer breve, inspire o vapor que escapa da lembrança;

Pedra que te move
Mão pra levantar e boca pra escarrar

A vida que é feita de escolhas
de obras que destoam,
de cruzes impossíveis.

Como faz?Queria tanto saber

Arrancar forças do último fio de cabelo
tão só, desolada filha de Ninguém
Para, no final, receber...

Nada?
Não seja injusta, perca-se
recolha-se à megera insignificância dramática

E vá além...Além.

sábado, 7 de março de 2009

Mistério

O Sacramento que se assiste,
do Tempo, de Silêncio na presença do Mar...
Que faz emergir um Todo quase Meu
o Prazer, a Dor e o Pânico da Essência
a Inconstância débil que Atordoa
(de tão impressionante p'ra mim faz-lhe parte)
impressionante minha dor
hilariante solidão só Minha.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Quehacier

Volte a mim quem sou!
Sem dor, mácula ou deterioração.
Volte a mim e não ao que importa,
Arranque as bordas do meu coração.

Que o desconcertante ao crescer
me parece o morrer, mas não todo
Quão inútil o "Ba" desbotado
E escada é e será o que lhe parecer

Uma ponte azul e arriscada
atravessa minha alma entredentes
De todo modo, a penitente faminta não fala
-ela grita!

E parte de mim, tão carolina
Se despedaça e tinge o papel que
re-inventa
Dotada de todo mal
a que apenas bondade ostenta.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A Morte

Alfa e Ômega se descompassam
e espatifam num segundo -
mas isso não é morrer.