domingo, 3 de fevereiro de 2008

Gauche, rogo-lhe

Gauche[*1] rogo-lhe.

Por Anne Caroline de Souza Quiangala João

“If tomorrow never comes

Will he know how much, i love him

Did I try in every way to show him every day

That he’s my only one.”

[*2] (If tomorrow never comes- K. Blazy/ G. Brooks)

Em algum lugar entre o céu e o inferno:

Angélique: Gauche, você é meu desejo máximo, liberte-me!

Gauche: como podeis pedir-me isso?Estás morta!

Angélique: sinto frio, estou perdida, liberte-me!

Gauche: sequer possuo vida, não conheço o sabor dessa seiva.

(Oh! Que Será da virgem desventurada?).

Angélique: somente tu... pois não podes salvar-me?

Gauche: entenda ó jovem que nada ganhará sendo tão arredia com a divindade,

Angélique:imploro-te que me retire desse estado inexistente, dessa dormência glacial...

(oh! Será que desconhece que todos devem um dia morrer?).

Gauche: Saiba, pois que mesmo os anjos choram minha pequenina!Ainda mais que em vida ou na morte nada é gratuito, doce!

Angélique: Ora, ofereço-te meu amor, isso não basta?Deseja ainda mais?Quais são os caminhos que percorrem sua vã ambição?

Gauche: Não seja patética minha querida, sou um espectro daquele que conheceu antes!Não sou o mesmo rapazote e tu não mais me amas como dantes!Todos amam o guardião da Chave nesse momento difícil (apertou os olhos e fitou-a, desconfiado), sobretudo você, bruxa!

(pobre menina sem amanhã, será tua ilusão perpétua?).

Angélique: como podes ser capaz de dirigir-te dessa forma a mim?Logo eu, que confiei a ti meu sangue, meu corpo... Como podes insultar-me dessa maneira?Não tens o direito...

Gauche: ...sem dúvida minha pobre Angélique, adoraria tê-la infinitamente, a presença de teus olhos é devastadora... mas sinto que mentes para mim...mais uma vez, como naquele momento...que prova posso ter desse amor que insiste por vomitar?

Angélique:Pois bem, caro Gauche.Não mais desejo-te...é a noite que ofereço como recompensa...lenta, certeira e repentina como uma cação de ninar!

Gauche: Não vá Angélique... não antes que eu diga...

Angélique: diga?

Gauche: sim, se aceitarias...

Angélique: o quê?

Gauche: abdicar... de tudo...desde o abraço sereno da sua avó até a doce geléia de..

Angélique: claro... mas duvidas tanto assim de mim?Estou morta

Gauche: jabuticaba... por mim...

Angélique:não vês que a muito tento mostrar-te o quanto o amo? Muito antes de a vida ter me abandonado e, mesmo agora que nos encontramos... mas nessa forma não podemos...um abismo colossal nos separa em planos distintos heterogêneos

Gauche: Não se preocupe com isso linda Angélique...

* * *

O rapaz tornou-se homem formoso vestido de preto, abriu uma fenda no ar: assim se fez a porta entre os reinos: limbo e submundo.

Ele a puxou para si.

Sob o vestido branco, Angélique se movia, mas eram seus pés de coruja realmente...

Ela entrou na fenda escura e nunca mais se ouviu falar em ambos como eles mesmos; costuma-se evocá-los como Plutão e Proserpina até hoje.


[*1]Em francês: garoto desajeitado

[*2]Se o amanhã nunca chega/mostrarei a ele o quanto o amei/o quanto tentei de todas as formas mostrá-lo /que é o único para mim

sábado, 2 de fevereiro de 2008

VIRGÍLIA
por Anne Caroline Quiangala

Como se o inferno tivesse razão de ser...
a tour pelo mundo
parece tão visceral, quanto contenta ser
como se precisasse um fígado para compreender...
e câncer...

Espinhas se quebram
os pés se rompem
passados esperam o arremate!

Maquiavélico pesar que se estire
a contento, com os anos recolhe
arrependimento destruidor
que jamais chega.
...intensa...

Espinhas se quebram
os pés se rompem
passados esperam o arremate!

A virgília se estende:
Divagante.
Indigente,
Retalhante.

Espinhas se quebram
os pés se rompem
passados esperam o arremate!

Ou melhor, cômoda.
Estira-se a pústula
Aguardando o golpe final
e espere,
pois é câncer...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Bom, esse texto eu separei para postar hoje independente do resultado do vestibular. Faz parte de um momento difícil, mas consegue ser humorado.Fala sobre adaptação, temor e utopias. Se não voltasse para o Darwin, sentiria saudades eternas, como se faltasse algo.Mas não, voltarei com a cabeça erguida, pronta para aquela bela 'não-vida'.Hoje percebi que amo tudo aquilo, que o valor é maior que posso expressar, ao menos, agora.


Sinusite em guerra

É um dilema. Todas as matérias às quais você odeia e sempre odiou e odiará (depois que tudo passar) resolvem voltar-se contra você. Ainda mais, porque temos um individuo para dissecar cada porção maldita; é como se além de obrigada a tomar vitamina de abacate, tivesse que sorver em pequenos e minuciosos goles. Flashes daquela infância me atacam, mas, dessa vez, mesmo que não seja voluntário, “não, você não pode vomitar”. De volta à aula.

Merda. Uma música, aliás, uma passagem pseudo-lírica do After Forever não pára de soar em minha mente – uma sala vazia e refrigerada.

Cuidado para não se dispersar; a garganta dolorida me puxa. A fome dança ao meu redor em meio à sonoridade grave, vibrante e latente gerada no interior do meu abdome.

Pode parecer retrógrado, mas, “tipos” me fascinam. Arquétipos de toda a sorte. Eu sempre caio nesse abismo abissal, e é isso que observo agora.

Meninas, aprendizes de socialites, com suas estratosféricas argolas penduradas nas orelhas; elas não mais sorriem como antes, parecem ter descoberto um mundo habitado apenas por seu material colorido e ‘feminino’. Dentre elas, muitas de saias representando um cristo. Uma conhecida desconhecida e uma que remete a uma figura “forrozística”, a dançarina que canta importada diretamente do Pará... mas se trata de um cover.

Ora, ora, ao menos o inferno deixou de ser o banheiro azul, para se abrir um mundo novo.

Vem então aquele devaneio... a mesma sensação que se tem ao final de um século: a de que o mundo vai acabar. E vai mesmo, se Deus quiser! Passar no vestibular é dissolver esse triênio, unanimemente infernal. Mas é um dilema... uma antítese com sabor de morango, sabor de “velhos” tempos... um querer e não querer...mas eu quero muito, tanto como todos, aqui, aliás. Como uma criança de olhos grandes, almejando o novo mundo, seja qual e onde for... Até descobrir que o Caos é natural, que lugares novos não passam de novos cenários do mesmo ato; o inferno em terra, quero dizer. Loucura. Olho para o lado.

Todos mantêm os olhos fixos para alguém que discursa. Eu deveria imitá-los. Estou atada a esse assento, ora, ora. E fervo. Tenho febre.

Os meninos são seres largados, nerds de óculos ou vagabundos. Eles se diferem pelo cabelo, que, fazem questão, afirmar. Cabeludo. Moicano. Vaca lambida. Barbas ralas, crianças imberbes e troncudas. Nenhum Adônis ou Nosferatu. Tudo é palatavelmente mediano.

É estranho estar anonimamente em traje azul simbólico, em um “R” ou “L” qualquer, como qualquer um do exército que me cerca. A guerra está longe como estou agora do sol. Agora não é isso que me preocupa, aliás, nada realmente me preocupa senão a trivialidade do percurso do ponteiro menor. O silêncio ensurdece um dos meus ouvidos, ou, talvez sejam as risadas que ecoam e não compartilho, e a garganta se torna, cada vez mais, um vulcão em erupção intensa.

A máquina urrou – eu conto os passos para o fim próximo – e ele vem escaldante e violento, como o vulcão em meu interior. E eu vou.

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Originalmente escrito no colégio, 3°ano vespertino em 12/03/2007, pouco antes do ‘recreio’ (intervalo ¬¬) às 16h00min.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A PRISÃO SEM MUROS
por Anne Caroline Quiangala

As cortinas se abrem...
- como se o mundo fosse avulso-
Eu caio, me precipito...
planam o amor, a dor,e o ódio
e, talvez, a minha ira desencarnada.

..Enquanto houver quem acredite
existirá.
...enquanto a dor não consumir
existirá.

Fantasma a ser extirpado
prazer a ser conquistado
anoite vem, tão lenta, passageira
o frio conforta, aconchega...

o calafrio é forte
a dor, aos poucos, aumenta.
dor que a morte contenta
pecado mortal, vil, a lazarenta.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

CULT CULT CULT, A MODA ALTERNATIVA.

"Se há várias explicações igualmente válidas para um fato, então devemos escolher a mais simples".

"Pluralidades não devem ser postas sem necessidade"

"As entidades não devem ser multiplicadas além do necessário"

(Principio de Occam)

Ah, Carol ama estereotipar.

Ué, mas não é que é mesmo?!

Nunca fui lá uma garota ‘algo wear’, entretanto, hoje em dia, meus olhos só conseguem ver uma coisa: cult!cult !cult! Tia Brut me diz que é coisa da minha cabeça, mas tenho culpa se TODO MUNDO está confinado em um ideal de padronização imposta?

Não vou criticar o capitalismo e não, não quero parecer politizada (mesmo porque não sou), mas, creio que não é impressão minha que ‘contracultura’ pós-punk é uma coisa que tem arrecadado muito dinheiro, movimentado bastante o mercado. Estou mentindo? Basta ver pelas ruas as pessoas todas em suas ‘cultisses’: óculos quadrados de armação delgada (quase sempre preta), corte de cabelo ‘ousado’, quase sempre tingido de preto, roupas estilo ‘Los Hermanos’ (jeans, pólo listrada ou xadrez, all star ou o que for mais ‘cômodo’ –e cult- para os pés etc etc que convenha).

Mas que diabos é cult?

Pois é, segundo a wikipedia sobre rock alternativo:

“(...) não têm necessariamente características em comum, sendo o termo usado para qualquer som que se aproxime do rock, mas que, porém, não se encaixou em nenhuma de suas vertentes (...)”.

Sei lá, pra mim cult é um conceito tão livre que se pode colocar o que bem entender. O que tenho visto com freqüência: normalmente pseudo-intelectual, pseudo-básico.. e uma vasta série de pseudismos.Coisa de universitário que, como qualquer outra contracultura, se estende para as ruas, aos “meros mortais”.Visual arrojado e ‘modernoso’(vide os otakus que são um dos subgrupos).

Ahhh, e eu não me importo se você é cult e não concorda, afinal, qual emo admite ser emo?Estou apenas a manifestar um pensamento meu. Sorry.

PS: só escrevi esse texto porque a Tia fica dizendo que eu acho todo mundo cult. Não que eu tenha algo contra ou a favor.

PS2:Cult, alternativo e indie se mesclam, a meu ver, ferrenho e superficial. È claro que não vou perder tempo pesquisando assiduamente sobre já que posso usar as minhas concepções duvidosas.

PS3: Hoje em dia um bom lugar pra aprender sobre isso é a MTV.Na minha época de assistir não tinha dessas coisas.

Epígrafe num oferecimento “Renatoth” – se é que entendi mesmo o significado – matemática da teoria à prática.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Divagações de uma ET

Isso não é pra mim...

“o vinho modela os caráteres.Ele é capaz de produzir os estados da personalidade, e isso gradualmente. Pode-se indicar, de acordo com a quantidade de bebida tomada, uma evolução dos caráteres e dos comportamentos. “

Aristóteles – O Homem de gênio e a melancolia (o problema XXX, 1).

O livro acima, eu li na oitava série e trata de uma teoria acerca de pessoas melancólicas que, no caso, são pessoas de exceção, gênios. Dessa forma: essas pessoas atingem diferentes níveis emocionais como um indivíduo que se embreaga, em diferentes níveis, polimorfamente, por assim dizer. A embriaguez é uma metáfora para uma ocorrência fisiológica, mas o enfoque que desejo para o que segue, é, em relação ao álcool mesmo.

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Definitivamente. Você tem que conhecer as pessoas certas. E, muito embora eu esteja falando disso, não quer dizer que tenha aprendido. Não mesmo. Hoje eu cheguei próximo ao que se chamaria de fundo de poço. Aliás, não eu, mas é aquela coisa: está no barco, afunde com ele?!Não quero parecer hipócrita, mas... é verdade isso.

Quando pessoas que pretendem ter banda com você chamam pra sair, mesmo que seja o buraco mais underground ever dessa roça... você vai.Não colocando a culpa na ‘roça’ mas...Mas não, Tia Brut sempre fala: não fale com emos, não seja amiga de ‘roqueiros’, sequer saia com esse povo...e o que eu faço?Bem, ela também fica dizendo que eu chamo todo mundo de ‘cult’ e de ‘alternativo’, o que, no fundo, quer dizer a mesma coisa. E eu acho mesmo: óculos com armação quadrada e delgada, preta, cabelo visivelmente tingido de preto, roupas da moda e... falarei disso em hora oportuna.

Voltando ao madrigal (ou elegia, como preferir) ‘isso não é pra mim’:fomos ver a banda do namorado da suposta vocalista da minha suposta banda de ‘gothic metal’. No tal lugar underground encontramos a fauna típica: metaleiros, roqueiros, thrashers, black metal trooo, góticos, emos e “gente como nós”.Tocariam bandas de grind, gore, black metal(argh 3vezes) e power (ufa?!).Ah, mas, para minha alegria havia uma banda cover de Sarcófago, e eles tocaram ‘Midnight queen’ (uma bosta,mas, pra quem não viveu nos anos 80, fiquei feliz já, óbvio)

Nesses ‘rocks’ undergrounds tudo é bem liberado e, acostumando-se a freqüentar tais ambientes, chegamos ao nível de não nos ‘dar-mos conta’ de certas coisas que se passam – coisas que, aliás, não nos dizem respeito...?!

De fato eu li o Problema XXX de Aristóteles, e claro, não me ative à guria ‘suposta vocalista’. Dezesseis anos, vida desregrada. Minha atenção era totalmente voltada às bandas, e, nos intervalos, à TV que exibia show do Slayer e do Deicide. Não me dei conta de cada dose de vinho, de cada copo de cerveja que me era oferecido, mas dos quais recusava com um simples gesto de cabeça, atônita pelos shows, e que a garota sorvia só. Não me dei conta do que se passava com ela; “se precisar de mim estou aqui” ela repetia milhares de vezes. Na hora eu vi como paranóia, afinal, quem era a maior de idade era eu. Depois fiquei divagando se, por acaso, isso contivesse um bruto anseio dela mesma, de ser cuidada, de ser protegida. Mas nada tão sério, tão profundo.

Nas idas e vindas dela, a escala de ebriedade se tornava mais e mais alta.

Não percebi. Por que não associei a alegria dela à teoria? Por mero descuido?Falta de zelo? Seria uma falta, descaso? Eu não me importava ou se tratava de total e macabra falta de altruísmo da minha parte? Hum, talvez eu não seja o anjo que imagino ser, entretanto, como disse Aristóteles (discurso livre): nada é, em si, absoluto, uno, as coisas são todas multifacetadas, até mesmo (de certa forma) cubistas – se é que me entende. Nada é apenas aquilo, tudo é relativo e mutável.

OK, ela bebeu, e muito. Deu vexame e tudo, mas o namorado agüentou as pontas na boa. Logo ele a quem ela queria deixar ou trair, ele se importa com ela. Detecção de mais um dos ‘males’ que afligem o ser-humano: mania de desvalorizar aquele que, realmente, o valoriza. Enfim, ela foi passando pelos estágios, pelos caracteres possíveis, e , quanto a mim, obeservava como se tudo estivesse sob controle, afinal, não sou do tipo que se alarma.

Íamos para casa. Enquanto esperávamos a carona, a garota começou a passar mal. Estava em plena crise de asma, mas, ainda sim, queria conversar com o outro ‘suposto guitarrista’ como se fosse “... a única chance”. Nisso iniciaram os desmaios, veio o desespero geral.Aí sim, me dei conta da ópera.A cada amolecer e voltar, ela parecia pior.Estava na iminência de coma alcoólico, e o namorado, maior de idade, na iminência de ser preso, porque seria o responsável por ela. Era tarde, eu sentia que poderia ficar pior. Por fim, vomitou. De início algo, mas, pra quem não tinha almoçado, restava vomitar a bile.

O calvário Apoteótico – de alguma forma eu sentia que, a qualquer momento, em meio àqueles desmaios e regressos, ela acabaria por afogar-se no próprio vômito.Conseguia vê-la morrer...ela parecia estar morrendo.Parecia que, a cada desmaio, a cada arfar asmático, a via se desprendendo do mundo pra sempre.

Eu queria dizer pra ela algo que a ajudasse, mas, é possível que seja mensagem para o vento. Queria dizer algo sem parecer uma tola pseudo-burguesa. E eu diria algo assim: “Ei moça, você tem que lembrar que não tem pai e mãe. Tem que lembrar que o seu namorado se importa com você, que pertence a uma boa família. Não sei se é falta de instrução, mas, a sua concepção do que é ser mulher deveria ser expandida. Ser mulher é muito mais que ser virgem ou não, muito mais que se entregar à “liberação”. Não quero dizer o que deve ou não ser feito apenas alertar uma coisa: existem formas e formas de fazer merda, pense bem antes e tenha sempre o controle.

...Mas, no final deu tudo certo.

...Graças às “forças que valem”...


Ok, Tia Brut, “mea culpa, mea máxima culpa”. Um dia eu aprendo, quem sabe.

sábado, 26 de janeiro de 2008

E se...
por Anne Caroline Quiangala

Se a sua mãe não te ama,
se a sua mãe não te ama,
saiba que há um mundo lá fora a ser
[explorado...


E se o mundo é pouco,
E se o mundo é pouco,
Abra a sua caixa de Pandora.

para a Tia Brut

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008



MUNDO DE PLÀSTICO ACINZENTADO

Por Anne Caroline Quiangala

Na verdade ninguém parece interessante realmente.

Seus anseios são estranhamente comuns:

É tudo tão fascinante, mas nada te contamina...

Todos sob frio intenso, nenhum ardor,

Um mundo cinza de plástico, que não existe:

Onde as meninas escondem seus desejos,

Onde todos ignoram os fatos como são (vêem como devem)

O que é o tempo diante dessa hipocrisia?

O que sou diante dessa atmosfera cinza?

Mias uma vez Perséfone deve despertar as flores

Flores de verdade, que possam banir todo o plástico

Dessa forma correta de viver

Em que todos se toleram e ninguém se aceita.

Sem avançar os limites da “boa vizinhança”

E sem inocência das crianças mecanizadas.

Ninguém pode escapar do mundo de plástico,

Ninguém consegue fugir desse círculo vicioso de consumo e aparências

Quem somos afinal, se não meros escravos (espectros)

Acorrentados pela estranha dor do saber e do temer.

Um largo sorriso irônico

O grito silenciosamente ensurdecedor de quem corta os pulsos

Atônito pela verdade não aplicada

Nada é real, oh não!

A falta de beleza dessas, no salão de beleza se plastificando

É deprimente...

Não há prazer nesse mundo sem tato, sem desejo ou sabor...

Na verdade há tudo isso oculto no amor pelo consumo

(amor a si mesmo)

Beijos, dedos – tudo falso.

Dor, amor, flor – tudo falso.

Filosofia, sorriso e lágrima - tudo é falso.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Roteiro do caos:

... efeitos da ‘true old school'...

...precisa mesmo?!...


PRÉVIA - Domingo passado, 20 de janeiro, estava marcado um show underground de thrash e black metal ‘old school’, e eu estava há muito preparada para as possíveis ‘exteriorizações de estilo’ do público. Considerando que no dia 19 fiz 18 anos, aquilo me parecia animador. Aliás, não pelos 18 anos, mas porque fazia mais de um mês – creio – que contava os dias para assistir, finalmente, um show cujo som, realmente fosse do meu agrado.

È fato que, as pessoas no Espírito Santo, não são conhecidas pela simpatia e acolhimento que caracteriza certos estados brasileiros (no geral ‘somos’ fechados, e, quase nada prestativos). Isso quer dizer que, no momento pré-show, quem era desconhecido e vinha cumprimentar deixava claro que era de outro estado. Mas isso não quer dizer que somos misantropos ou monstros do pântano (oops, mangue), pois esse comportamento deve ser oriundo de uma suposta idéia de civilização; creio que o que motiva esse comportamento (o de ‘ignorar tudo aquilo que não lhe compete’), idéia a qual os capixabas seguem com tanto afinco, é, muitas vezes arraigado de tal forma, que passa a ser imperceptível.

A GRANDE QUESTÃO é que tudo parecia transcorrer bem demais, até que um indivíduo no recinto (terceiro andar) perguntou, aos berros, quem era ‘x’ e saiu desembestado, bufando, os olhos inflamando ódio, para surrar outro, um forasteiro, magrelo, bem mais jovem, e, que, aparentemente, não seria ameaça a ninguém, no outro lado da rua. O garoto que foi surrado estava com uma camiseta do Kiss, além de ser alegadamente cristão. O rapaz mais velho, O que surrou, é um trooo metal old school. Devido a isso, inicialmente, comentaram que a ação violenta se deu por conta de divergências religiosas e musicais (Kiss não é considerado true). Sei que, do terraço, ouvi o som das porradas lá na rua. O garoto parecia não saber o porquê de estar apanhando. Havia uma surpresa dolorida na sua face, medo nos seus olhos, mas, ainda assim, não quis ir embora, “pagou pra ver” como se costuma dizer. Nos dias seguintes descobriu-se que a razão da ‘fúria’ era uma discursão pela internet. Sinceramente não sei o que houve, sei apenas que a falta de ponderação desse ‘cara’ representou uma série de aspectos negativos para a cena em geral.Tanto para quem queria assistir e teve que desistir, quanto ao organizador do evento que trouxe ‘banda de fora’. Mais uma vez e de novo o somatório de ações que fecharam outras localidades disponíveis a esse público. Ainda assim, as pessoas sensatas decidiram não entrar, mas o guri permaneceu e apanhou novamente.

ISSO ME FEZ PENSAR no quanto estamos vulneráveis; a qualquer instante, estamos a mercê de surgir uma criatura em desvario e surrar-nos, conforme a sua vontade, conforme o seu ‘bel-prazer’, até porque não costumamos seguir tendências dos outros. Até que ponto as pessoas levam as ideologias... é triste, pensando restritamente ao âmbito do heavy metal, vemos que muita gente leva isso como ideologia, por vezes, como religião.Acredito que ninguém nunca viu isso em outros estilos, ao menos, não com tal ímpeto.Entendo que é um dos estilos mais viscerais, mas não é pra levar a essas instâncias, de forma alguma.Desse jeito,daqui a pouco, todo mundo adota o modo de vida/reação calcado no black metal norueguês.Arrisco a dizer que, nessa província, não há espaço para isso, assim como não há espaço para skinheads e ‘extremismos’ afins.Se for assim, eu como banta,já sou condenada a morte.Fora que,daqui a pouco, um cara que curte mais Alan Moore que Neil Gaiman me bate por conta disso e por aí vai. Sendo que, no final das contas, todo mundo gosta de Vertigo. É irracional, saca?

O que me fez ficar horrorizada, mais que a violência em si, foi o fato de o ser humano se prender às coisas, como que para exteriorizar a ele mesmo da forma mais doentia possível. A música não é para ele um escape, não é uma preferência ‘e ponto’. O descontrole concerne fragilidade, mas isso não vem ao caso. Assusta imaginar esse tipo de ‘cidadão’ caminhando, afinal, não é mistério que armas de fogo não são difíceis de adquirir, e um cara desses ‘irado’ é capaz de matar. Não há justificativa para o que foi feito.Temos que acordar para fatos como esse, porque não são isolados e desconhecidos.Onde largaram o respeito?A cidadania?Os limites?Onde estão as matérias básicas para a boa convivência?É triste ver que as pessoas levam anos para aprender coisas tão simples, e que muitas, morrem sem entender o verdadeiro significado da palavra ‘tolerância’. Quando se ‘canta’ profecias de terceira guerra mundial e colapsos temos como atos de violência gratuita e impune, como essa, uma brutal premissa.

"A filosofia é a seguinte: eliminar todo e qualquer que discorde."

É esse o mundo que desejamos ter?

Posso até parecer exagerada e melodramática, mas uma coisa é certa: essa não é a primeira, bem como não será a última.E a tendência disso é crescer e tomar forma cada vez pior.

TROOO QUE É TROOO usa drogas, não tem fígado de tanto beber, senta nas cadeiras de trás (quer dizer, quando ‘dá as caras’ na escola, o que é raro como o cometa halley), sequer fala com ‘pessoas’ que não pertencem a sua ‘patota musical’ (tribo?!), corrói o joelho andando a vida inteira de All Star ferrado, tem a capacidade de trajar vestes negras e coturno independente do clima infernal de veraneio, usa roupas de épocas remotas, (sobretudo aquelas as quais não viveu), é homofóbico, anti-social, ateu, rebelde, burro, racista, ignorante (se possível com tendências neo-nazistas não alegadas) e, o pior disso tudo, é que acha bonito e faz questão de ser isso tudo. Trooo que é trooo, definitivamente, não é gente com nós.

“E depois nego diz: ROCKEIRO É AGRESSIVO, porque vê uma figura dessas agindo.”

"Esse cara está seguindo à risca a música do Sarcófago 'I hate' "

Doravante a minha utopia palpável:

Show do Chakal em BH esse ano!

“... Como se não tivesse trooo por lá né, Anne?!”