tomei parte
e, como a seita que é,
acredita não no poder
do eu, mas do als ob
- e ama.
Do cadinho tomei o vinho
que lhe cuspo na face
Pra nunca mais.
Nunca mais.
;D
Sobre o amor?
Sexta feira, terceiro ano, última aula: redação; e a professora disse isso. Ninguém respirou. Ela fez brincadeiras para descontrair, mas ninguém se mexia. Então ela fez a introdução. É claro que eu não fiz na hora. Esperei bater o sinal, afinal, era a última aula de sexta feira, quase sete da noite.
Toda terça eu ia ao plantão de redação com a Andressa. Até terça feira eu ainda nada havia escrito. Eram 15min de ônibus até o colégio, texto de 20 linhas pra fazer, descontando as 5 que a Ana Paula ditou...o que eu fiz?!
Sei que um relacionamento hoje pode ter inúmeras características: pode ser apaixonante, corriqueiro, duradouro, aquele só de troca de olhares, envolvente, enfim... pode até ser “goiabada com queijo”. É... aquele bem típico: os opostos se atraem.
Mas, para mim, o que não pode faltar em um relacionamento é o sentimento, sem o qual torna a cumplicidade uma espécie de anulação de uma das partes; amor é coesão e, quando real, não se resume aos meros açúcares ou paixões postiças e sem cabimento que observo com freqüência. É como se o apresso não passasse de uma obrigação implícita, uma máscara que apenas está ali.
Para descontrair – e, na verdade me eximir das minhas verdades absurdas, mas visíveis a quem desejar ver - Digo-lhe que não espero muito do amor, pois o charme está na espontaneidade,na gentileza, na aceitação cúmplice e, por vezes, crucificadora.
Doses freqüentes e homeopáticas de acetinação e sutileza. Isso é um relacionamento, nem sintético nem macrobiótico, essa é uma forma de amor.
Saudades (sem saudosismo) do terceiro ano do ensino médio. Ano que conheci pessoas importantes, ano que agreguei muito conhecimento em todos os âmbitos possíveis da vida. Aprendi muito sobre as pessoas. E sigo aprendendo.
[Originalmente publicado em LÓGICAS EMOCIONAIS em 22/02/08.]
Duas fêmeas do mesmo sangue se digladiam. Uma delas é Dúbia, a outra dispensa qualquer tipo de conformidade, e é, absolutamente, Una.
Una tem mente fechada e atitudes permissivas. Dúbia tem oscilações de humor. Una habita um quarto que é um show de horrores, ao passo que Dúbia tende quase sempre ao refinamento...
Una se doa demais, sente as coisas e é fervorosamente apaixonada por tudo e todos que a completam – mesmo não sendo muitos. Sua piedade exacerbada fez-lhe aprender coisas. Seus desejos alcançam estrelas, e escreve cartas (nelas expele toda a sua raiva e descontentamento para com quem a receberá). Ela diz coisas que ferem devido ao caráter letal; deseja grandes pequenas coisas, pois acredita que, para ser feliz, precisa pouco.
Dúbia exala orgulho e arrogância, tanto no andar quanto na fala concisa; sua estrutura é metálica e faz tudo pela aparência... já foi doença, parece melhor disso, mas sucumbe aos vícios mortais. Talvez acredite em Deus e guarde para si segredos e particularidades. Mas ela é duas. Criatura compassiva, ligada à necessidade alheia, dócil, fala amável, preocupação com o outro. Tem em mãos o arco e a flecha, e quer, a qualquer custo, acertar e fazer presa a outra.
A princípio, Una que escala montanhas e é deveras frágil porque sempre sente muito, sem defesas ou armaduras. Ao menos não as visíveis. Dúbia raramente fala sobre amor, mas possivelmente é o combustível que a move. Una é guerreira desarmada porque escolheu este caminho; se pudesse, usaria uma espada longa. Dúbia, por sua vez, está com o olhar fixo, a flecha apontada, prestes a alvejar a rival derramando-lhe o sangue. Sangue este que também é seu.