Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Louise (ou do Louisístico Platonismo)

Do platonismo
tomei parte
e, como a seita que é,
acredita não no poder
do eu, mas do als ob
- e ama.
Do cadinho tomei o vinho
que lhe cuspo na face
Pra nunca mais.
Nunca mais.


Para A. L.
;D

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Que mudou em mim.

Não.
(menti)

Sabendo que, no fundo,
tem um pouco de Amèlie.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Escreva sobre o Amor...


Foto: Filme Transylvania.

Sobre o amor?

Sexta feira, terceiro ano, última aula: redação; e a professora disse isso. Ninguém respirou. Ela fez brincadeiras para descontrair, mas ninguém se mexia. Então ela fez a introdução. É claro que eu não fiz na hora. Esperei bater o sinal, afinal, era a última aula de sexta feira, quase sete da noite.

Toda terça eu ia ao plantão de redação com a Andressa. Até terça feira eu ainda nada havia escrito. Eram 15min de ônibus até o colégio, texto de 20 linhas pra fazer, descontando as 5 que a Ana Paula ditou...o que eu fiz?!

Sei que um relacionamento hoje pode ter inúmeras características: pode ser apaixonante, corriqueiro, duradouro, aquele só de troca de olhares, envolvente, enfim... pode até ser “goiabada com queijo”. É... aquele bem típico: os opostos se atraem.

Mas, para mim, o que não pode faltar em um relacionamento é o sentimento, sem o qual torna a cumplicidade uma espécie de anulação de uma das partes; amor é coesão e, quando real, não se resume aos meros açúcares ou paixões postiças e sem cabimento que observo com freqüência. É como se o apresso não passasse de uma obrigação implícita, uma máscara que apenas está ali.

Para descontrair – e, na verdade me eximir das minhas verdades absurdas, mas visíveis a quem desejar ver - Digo-lhe que não espero muito do amor, pois o charme está na espontaneidade,na gentileza, na aceitação cúmplice e, por vezes, crucificadora.

Doses freqüentes e homeopáticas de acetinação e sutileza. Isso é um relacionamento, nem sintético nem macrobiótico, essa é uma forma de amor.

Saudades (sem saudosismo) do terceiro ano do ensino médio. Ano que conheci pessoas importantes, ano que agreguei muito conhecimento em todos os âmbitos possíveis da vida. Aprendi muito sobre as pessoas. E sigo aprendendo.

[Originalmente publicado em LÓGICAS EMOCIONAIS em 22/02/08.]

domingo, 11 de janeiro de 2009

Sem odor:.

Leva-me pela mão
e devolva o desencanto que doeu.
digo "por favor" e peço desculpas...
meu perdão cinzento
cheira a fel condensado
e que, de tão denso, torna-se líquido.

Meu sorriso é um esgar
o escorrer azulado, dantesco
ando, danõ virando pó-a-pó
Sou esperança contida
e rogo pela morte cinza e fria
como pede-me comida.

...Os santos te guardem
com iconoplastia de gesso
com doçura de plasma.

Sem odor, com certeza.


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Coleta


Imagem: Magritte


Lascivia:
derrama sobre mim aquele véu translúcido
aquele luar majestoso,
derrama sobre mim o 'seu eu'.

Que faço parte de ti
que fazes parte de mim
que no todo somos um
que somos um e ponto final.

Agora faço minhas ressalvas
e completo. Nenhum beijo senão o seu.
O momento é parabólico
E a explosão instável.

A vida é real abaixo de nossos ombros.
Tu sabes disso.
Então. É o que importa.


Para o Rodrigo.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Elegia ao colecionador

Pra você, algo que tenha significado,
Algo além da minha falta de sentimentos distintos
Algo além que minha má impressão.
Direto do meu coração agro, de sonhos famintos...

Pra você esse ataúde, tal como sangue meu, sacrificado
Aprendo a lidar com o que tenho, sigo meus instintos
Aprendo a lidar com o amor por você, com a missão e a depressão.

Espero que saiba, meu caro
Que sinta, o que não é palpável, mas entre nós transita

Good bye mi amore,
Que seja tenro sempre e doce, mesmo na morte
E que, aliás, não morra porque me fui, seja feliz à sua sorte
Tudo - mas tudo mesmo - de bom pra usted grand’ amore

Que não esqueça minha tepidez
Pois não esquecerei sua morna incensatez
Contida, plástica demais, para nós dois
Alta madrugada, nem corpo, nem su’ alma quero agora (talvez depois)

Procuro desprender-me, aos poucos, sem dor
Convulsões subliminares de afeto e límpido amor
É claro, ininteligíveis...
O dia começa cedo amanhã e, mais uma vez, perambulo as órbitas
[inatingíveis.
Adeus grand’ amore,
Posso?







Para o mais novo Grand’ Amore

|||||Madrigal Secreto*|||||

Desejo-te, e apenas isso, quero que saiba
E contigo sonho todas as noites:
O possível toque de seus dedos
Possíveis frases proferidas por seus lábios
Em meio sorriso...
Magia clara e bruta da sua existência
Não sabe o quanto anseio por seus braços
Mais uma vez prevalece o erro
Prevalecerá?
Mas tudo são escolhas
Seja comer sangue,
Seja entregar-se ao desatino.

Meu amor, minha escolha, minha falta
E a glória da derrota prevalece,
Em seu amargor desesperado, refulgente, aquela ânsia irrefutável
Prevalecerá?
O erro parece-me o mesmo, prevalecerá, meu amor?

Eu que não amo ninguém te desejo
Eu cujas feridas cicatrizadas formam grossas camadas
Sonho contigo todas as noites
Em que devoro todos os amanhãs possíveis, negros, nada cromados.
Amanhãs que não são meus
Amanhãs que, sem ti, não passam de amanhãs...









*Para o meu ‘Amanhã tenebroso’

sábado, 5 de julho de 2008

Intemperança

Duas fêmeas do mesmo sangue se digladiam. Uma delas é Dúbia, a outra dispensa qualquer tipo de conformidade, e é, absolutamente, Una.

Una tem mente fechada e atitudes permissivas. Dúbia tem oscilações de humor. Una habita um quarto que é um show de horrores, ao passo que Dúbia tende quase sempre ao refinamento...

Una se doa demais, sente as coisas e é fervorosamente apaixonada por tudo e todos que a completam – mesmo não sendo muitos. Sua piedade exacerbada fez-lhe aprender coisas. Seus desejos alcançam estrelas, e escreve cartas (nelas expele toda a sua raiva e descontentamento para com quem a receberá). Ela diz coisas que ferem devido ao caráter letal; deseja grandes pequenas coisas, pois acredita que, para ser feliz, precisa pouco.

Dúbia exala orgulho e arrogância, tanto no andar quanto na fala concisa; sua estrutura é metálica e faz tudo pela aparência... já foi doença, parece melhor disso, mas sucumbe aos vícios mortais. Talvez acredite em Deus e guarde para si segredos e particularidades. Mas ela é duas. Criatura compassiva, ligada à necessidade alheia, dócil, fala amável, preocupação com o outro. Tem em mãos o arco e a flecha, e quer, a qualquer custo, acertar e fazer presa a outra.

A princípio, Una que escala montanhas e é deveras frágil porque sempre sente muito, sem defesas ou armaduras. Ao menos não as visíveis. Dúbia raramente fala sobre amor, mas possivelmente é o combustível que a move. Una é guerreira desarmada porque escolheu este caminho; se pudesse, usaria uma espada longa. Dúbia, por sua vez, está com o olhar fixo, a flecha apontada, prestes a alvejar a rival derramando-lhe o sangue. Sangue este que também é seu.

------------------------------------------------------------
A MONTANHA MÁGICA
Legião Urbana